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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nos EUA, donos de BlackBerry têm vergonha dos seus aparelhos

Esse cara não deve mais gostar tanto do seu BlackBerry.


Como pode um produto que há três anos dominava determinado segmento ter perdido tanto valor de mercado nesse intervalo a ponto de colocar o futuro da empresa em xeque e ter se convertido de símbolo de prosperidade a motivo de vergonha e chacota alheia? Pergunte à RIM, fabricante do BlackBerry.
Antes que iPhone e smartphones Androids dominassem o mercado norte-americano, eram os aparelhos BlackBerry que os executivos carregavam orgulhosos pra lá e pra cá, lendo e respondendo emails, atendendo ligações, fazendo essas coisas que executivos fazem. Com recursos corporativos e de segurança, ele agregava status à utilidade, tudo acessível de seu ergonômico teclado QWERTY. A fórmula do sucesso.
De uns anos pra cá, a fórmula não mudou — e talvez esteja aí o problema da RIM. Enquanto a concorrência cresceu e passou a oferecer novos aparelhos e sistemas modernos e cheios de apps, o BlackBerry OS estagnou. Os smartphones não mudaram tanto e, quando sim, o resultado não foi dos melhores (oi, Storm!). Hoje, sangrando dinheiro, a RIM tem outro problema pior para lidar do que os números: reverter a imagem negativa que o BlackBerry ganhou nos EUA nos últimos tempos.
Uma matéria publicada no New York Times (e traduzida pela Folha) revela a vergonha que usuários de BlackBerry sentem por lá. Rachel Crosby, uma representante de vendas entrevistada pela reportagem, diz esconder o aparelho embaixo de um iPad por medo de ser julgada pelos seus clientes. Craig Robert Smith, músico de Los Angeles, sentencia: “Usuários de BlackBerry são como usuários do MySpace. Eles provavelmente ainda conversam no bate-papo da Aol.”
É meio estranho imaginar uma situação, bem ou mal um reflexo da nossa sociedade, onde credibilidade, confiança e outras características que em tese independem do que uma pessoa possui, são atribuídas ao celular que ela carrega no bolso. Afinal, a escolha por um aparelho se dá por diferentes variáveis: necessidade, falta de escolha, de instrução, preço. E mesmo que seja uma escolha consciente e livre, não deveria ser ela objeto de críticas tão pesadas, certo?
Para a RIM, que no começo de 2013 deve apresentar seus novos aparelhos com BlackBerry 10, o desafio de voltar a ser descolada, ou pelo menos amada por executivos e profissionais liberais, revela-se cada vez maior. Maior, mas não novo; afinal, não é de hoje o verdadeiro desafio das empresas de tecnologia é “fazer as pessoas a aceitarem em suas vidas”.

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